Ausência-Presença

Um desconhecido em um grupo sobre música no Facebook me indicou uma banda. Ouvi e gostei. Procurei mais canções e descobri a música “There’s That One Person You’ll Never Get Over No Matter How Long It’s Been”. Esse título genial (que inclusive já está no meu “Top 10 Coisas que Eu Gostaria de Ter Feito”) me fez ter uma epifania: a minha vida tem girado em torno de uma ausência-presente.

Vou explicar: sabe quando alguém não faz mais parte da sua vida, mas acaba estando mais presente do que quando era do seu convívio, porque, na tentativa desesperada em esquecê-la, você se lembra dela todos os dias, mesmo que seja com pensamentos do tipo “vai, sua otária, supera o Cicraninho logo!” e isso acaba se tornando um vício mental do qual você não consegue se livrar independente do tempo que tenha passado? Pois é.

Fiz um balanço dos meus assuntos com os amigos mais chegados e com a minha mãe, das minhas postagens nas redes sociais e dos meus textinhos mal escritos no diário de cabeceira e acho que 75% desse “blá, blá, blá” todo era referente a tal pessoa. Sim, eu tenho uma Pessoa Não-Esquecível™ para chamar de minha.

Já perdi as contas de quantas vezes escutei “supera isso”, “a vida segue” ou, a melhor de todas, “já passou da hora de esquecer”. Eu já me achei burra por não entender essa lógica de superação que parece tão simples aos olhos dos outros e para mim soa como um discurso em eslovaco sem tradução simultânea. Mas agora entendi: eu não vou esquecer.

Que fique claro, isso não é uma ode à fossa. Eu só entendi que tenho uma gaveta mental muito ampla e sou metódica e chata até mesmo na minha mente. Todas as minhas memórias estão muito bem guardadas, catalogadas e prontas para serem resgatadas a qualquer momento (segura essa brisa virginiana da madrugada!).

Eu encontro partes das pessoas que passaram pela minha vida em cada detalhe, não somente em fotos, presentes e memórias óbvias. Fugir dessas lembranças pode ser um processo mais doloroso do que o próprio sofrimento por conta do término traumático. Acho (e quero acreditar) que a ordem natural das coisas vai, aos poucos, transformar essas lembranças em coisas positivas (ou suportáveis, vai). Mas esquecê-las, jamais!

A moral desse lenga-lenga todo é: não sei se existe mesmo essa tal superação que a galera cuca fresca prega, mas acredito que cada pessoa funciona a sua maneira e ao seu tempo. O lado bom é que eu descobri o meu funcionamento. O lado ruim é que ele talvez não seja o mais simples. Mas é quem eu sou, então está tudo bem.

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